Buscando a Syrah

Interessante notar como algumas variedades de uva têm muito sucesso e outras também têm, mas de uma maneira diferente.

A cabernet sauvignon (tinta mais famosa que há), tornou-se celebre por ser responsável por alguns dos maiores vinhos do mundo. Os robustos, encorpados, longevos e estilosos Grands Crus classés do Médoc, em Bordeaux, são feitos com ela.

No entanto, há vinhos tão estilosos, perfumados, encorpados e longevos quanto os Bordeaux em outras regiões. O vale do rio Rhône, no leste da França, é um dos melhores exemplos. Côte Rôtie, Hermitage, Cornas são apenas algumas das denominações de origem produtoras de vinhos enormes e poderosos dessa zona. No entanto, a Syrah nunca chegou a ser tão famosa quanto a Cabernet.

Não é que a Syrah não seja conhecida. Ela é. Super. Mas não tão falada quanto uma Malbec, uma Carmenére, Pinot Noir ou mesmo a Merlot e, claro, a Cabernet. São raras as pessoas que chegam falando "amo Syrah". Ou mesmo, "odeio Syrah".

Muitas pessoas lembram dela por causa da Austrália, país que a adotou e expôs seu nome nos rótulos de seus vinhos, de estilos voluptuosos e frutados. Depois, outros países a plantaram com resultados diversos. Ela é versátil: em climas quentes, mostra seu lado mais achocolatado, com frutas negras e geleia, taninos fundidos, macios, escondidos atrás de um volume alcoólico quase adocicado.

Em climas mais frios, mantém uma acidez elegante, os taninos continuam macios, mas um pouco mais evidentes, sem nunca serem secantes ou rústicos. Nessas zonas mais frias, notadamente sua região berço, o norte do vale do rio Rhône, as notas perfumadas florais de violeta se mostram em seu esplendor, junto de frutas negras frescas.

Essa versatilidade faz com que ela possa ser produzida em regiões diversas do mundo, sem perder muito seu jeitão frutado, de taninos macios, mas com alguma variação. Referência ou não na hora de escolher um vinho, vale a pena o tour mundial por seus sabores.


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