Alexandra Corvo

                                                 ... diz a lenda que um porre de duas garrafas de Mateus rosé foi responsável pela minha concepção e de minha irmã gêmea,                                                     Roberta, numa noite quente demais, na linda casinha cheirosa de forno a lenha de meus avós maternos na cidade longínqua                                                     de Itararé...

                                                 ...e todo mundo tem uma história sobre o início da profissão coincidindo, de alguma forma, com algum fato da época pós-                                                         fraldas. No meu caso não foi nada diferente: minha avó paterna, portuguesa, Maria da Encarnação Corvo, me levava às                                                             escondidas ao seu quarto, no apartamentinho perfumado de maresia em Santos e ali sacava uma garrafa de vinho do Porto                                                     de dentro de seu armário, acompanhada de duas tacinhas. A primeira ela servia para ela e tomava de um gole só. E a                                                               segunda ia para mim. Assim fica fácil virar sommelier. Mais fácil ainda quando se tem uma mãe que consegue saber, com a                                                       geladeira fechada, se o queijo está passado e, de um quilometro de distância, se sua roupa está suada. Para facilitar para                                                         meu lado, desde que me conheço por gente, meu pai toma (bons) vinhos.


Minha carreira começou em New Orleans, aos 16 anos. Fui para aquela cidade para um daqueles programas de intercâmbio para estudantes. E meu primeiro trabalho foi de garçonete em um barzinho no French Quarter. Quando voltei ao Brasil, tinha que terminar o colegial, mas não queria perder o ritmo de trabalho. Aos 19, fui trabalhar no antigo Della Volpe, na Rua Augusta. Comecei como recepcionista e, como me interessava muito o serviço de restaurante, me colocaram como Primeiro Maître. Percebendo minha incompetência no tema em relação aos meus experientes colegas, em 1996 fui para a Espanha estudar Hotelaria na Escuela Superior de Hosteleria y Turismo de Madrid. Lá estudei até 2000. Como, para obter diploma, tínhamos que fazer estágio em algum restaurante ligado à escola, meu tutor me conseguiu um bem interessante na pequena Brasserie de Trois Rois, em Lausanne, na Suíça. Foi um choque, pois mal falava Francês. Assim mesmo, fiquei 6 meses por lá e, no final de 2000 obtive meu diploma em hotelaria.

 

Havia muito tempo, porém, que me apaixonara pelo tema dos vinhos. Descobri que havia um Centro Federal de Pesquisas Agronômicas, na Suíça que tinha um ramo de enologia,– que por sua vez tinha uma Escola de Vinhos, ou seja, enologia voltada para o serviço de restaurantes. Consegui uma vaga e, de janeiro de 2000 a abril de 2001, estudei apenas vinhos. Obtive o diploma de sommelier e voltei ao Brasil.
Quando cheguei, tive a oportunidade de montar a adega do Figueira Rubaiyat. Logo, trabalhei por um ano como Sommelière no DOM. Depois fui para o LeVin e Tournage, do mesmo dono. Saí de lá e tive minha primeira experiência como gerente no charmoso Empório Basilicata, no Itaim. Quando saí de lá, fui trabalhar com minha querida amiga Bel Coelho em seu lindo e delicioso restaurante Sabuji. Montei a carta e treinei os garçons para que pudessem vender vinho sem ter a ecessidade de um sommelier.

 

No final de 2004 decidi que queria passar meu conhecimento sobre vinhos aos clientes de forma diferente: queria escrever. Quando ainda estava no Sabuji, tive o prazer de servir o Sr. Carlos Maranhão, diretor de redação da revista Veja São Paulo. Conversando com ele, comentei-– lhe sobre meu novo sonho. Ele me disse: “Por que não me envia algumas coisas que você escreve e dou uma olhada?”. Uma semana depois, chamou-me para uma reunião com Roberto Gerosa, editor do Site Veja São Paulo. Lá fui convidada para ser colunista do Portal – onde estou fiquei até 2010. . Ao mesmo tempo que tudo isso acontecia, ainda em 2004, abria minha escola de cultura do vinho – o Ciclo das Vinhas. No começo era apenas um pequeno escritório. Em 19 de fevereiro, fundei de fato a escola, com minha sonhada biblioteca e uma atividade intensa em formação profissional e para amadores.
Esta é minha principal atividade até hoje, juntamente com o boletim diário de vinhos da rádio bandnews fm.

A Escola

Espaço completo para o estudo do vinho, Ciclo das Vinhas oferece propostas diferentes do que hoje é encontrado em cultura do vinho. As aulas e os cursos são ministrados por Alexandra Corvo, proprietária e sommelière, formada na Espanha e na Suíça.
Os encontros acontecem sempre em pequenos grupos de até 20 alunos. A idéia é facilitar o aprendizado e promover a discussão e interação em volta do tema.

As técnicas adotadas têm como foco a arte da degustação. O forte são os exercícios de sensibilização e estímulo da percepção aos aromas e sabores. São práticas aprendidas por Alexandra Corvo em seus estudos nos Estados Unidos, Espanha, Suíça e de sua experiência como sommelier na Europa e em São Paulo. Estas técnicas visam a ampliação da sensbilidade do aluno, provocando-os e auxiliando-os a apreciar, reconhecer e descrever suas percepções.

Além da programação de cursos, dispomos de uma Biblioteca com mais de 300 titulos nacionais e internacionais, filmes e revistas, para todos os alunos, estudantes de gastronomia e amantes do vinho que queiram pesquisar mais sobre vinho.

A Equipe 

Agna Xavier: Responsável pela cozinha do Ciclo que encanta alunos e visitantes há mais de 10 anos.

Fernanda Corvo: Diretora da Escola. Formada em Psicologia pela PUC-SP foi proprietária administradora por 10 anos do restaurante Sal Gastronomia. Em formação do curso de Sommellerie para Enófilos no Ciclo das Vinhas - Escola do Vinho, onde trabalha desde 2016. 

Patricia Andrade: Responsável por deixar a escola sempre organizada e limpa.